Quem não adormeceu embalado por um orador ao projectar o n-ésimo acetato preenchido com mais uma lista itens?

Sendo um evangelista GTD há já quatro anos, não pude deixar de ver o vídeo do seminário que o Merlin Mann fez há algum tempo na Google com o título de “Inbox Zero”. Desde a minha iniciação à metodologia GTD que procuro, com sucesso variável, manter a minha caixa de entrada vazia. No entanto, o que me chamou a atenção nesse seminário foi o modo como foi concebido e que ele detalhou no seu blog (43 folders). Isto levou-me comprar o livro “Beyond Bullet Points” de Cliff Atkinson.

A principal tese defendida no livro é a de que uma apresentação pública deve seguir os princípios básicos da dramaturgia registados por Aristóteles há 2.400 anos. Se os guionistas de Hollywood ainda hoje os seguem é porque, certamente, a coisa foi bem pensada. Assim, uma apresentação tem de começar por se localizar no espaço e no tempo, ter um protagonista, uma situação de desequilíbrio que se pretende equilibrar. O objectivo da apresentação é o de convencer a audiência da melhor solução para passar de um estado para o outro. A apresentação divide-se assim em 3 actos em que o primeiro nos coloca o problema, o segundo demonstra as razões da solução proposta ser a melhor, e o terceiro (o do clímax) pretende convencer audiência que a solução proposta nos salva do caos infernal (pelo menos na minha interpretação muito pessoal do conteúdo do livro).

Para contar esta história, o livro sugere a elaboração de um guião do tipo cinematográfico em que os acetatos funcionam como um “story board” com apenas uma imagem e uma frase por acetato.

Já criei algumas apresentações usando estes princípios e posso dizer que dá bastante trabalho sumarizar numa só frase o que pretendemos transmitir com o acetato. Penso que, pelo menos, terá a vantagem de reduzir a sonolência da audiência.