Estar envolvido num projecto com a colaboração de investigadores na área da psicologia está certamente a mudar a minha visão do mundo.

Passei um memorável fim-de-semana em Barcelona para comemorar o aniversário de um amigo com o grupo de convidados que ele reuniu. O sucesso do evento deveu-se obviamente a mais esta ideia genialmente louca do aniversariante, mas penso que contou também com uma contribuição menos óbvia do efeito da “curva de reminiscência” da memória autobiográfica.

A psicologia diz-nos que a distribuição temporal da memória auto-biográfica (a história que a pessoa recorda de si própria) não é uniforme. Há o efeito de amnésia infantil, que descreve a ausência de recordações dos nossos primeiros anos de vida, e o efeito da “recência” que enfatiza a nossa memória dos acontecimentos dos anos mais próximos. Há também o tal efeito da curva de reminiscência (tradução de “reminiscence bump” que já vi também traduzido por “explosão mnésica“) e que se refere ao facto de que tendemos a recordar mais acontecimentos pessoais da adolescência e da idade pré-adulta, do que de outros períodos da nossa vida. Este efeito explica a nossa preferência pela música que ouvimos nessas idades e a associação a esse período da vida das nossas recordações mais agradáveis.

Aconteceu que este grupo se caracterizava pela coincidência das sua curvas de reminiscência não só temporalmente (tínhamos todos mais ou menos a mesma idade) como também geograficamente: quase todos passámos a juventude no mesmo bairro de Lisboa e muitos de nós frequentámos o mesmo Liceu.

Estas coincidências e as recordações comuns criaram um ambiente de cumplicidades que marcará este fim-de-semana na minha memória auto-biográfica muito para além do efeito da “recência”.

barcelona1.png barcelona2.png

dancing1.png dancing2.png