Não sei bem se alguém mo disse para o fazer ou se me limitei a copiar o hábito dos meus colegas, mas desde que me integrei num grupo de investigação no INESC (1984), tenho mantido um livro de bordo onde registo as minhas actividades diárias e os problemas em que trabalho. Em 1991, quando comecei a trabalhar nos AT&T Bell Laboratories em Murray-Hill, percebi a importância destes livros pois existia um modelo de caderno próprio para esse fim que se podia requisitar no economato. Os apontamentos tomados nesses livros podiam servir como prova em processos relativos a questões de propriedade intelectual.

Nesses longínquos anos, em que o termo «computação móvel» correspondia a um computador que não exigisse uma grua para ser deslocado, trabalhava-se essencialmente no laboratório, em frente a um terminal de computador. Nessa altura, o livro de registo era um livro de actas em formato A4 ou A5 que tínhamos em cima da secretária. Com o advento do modem, do computador pessoal e, muito mais tarde, do computador portátil, o local de trabalho deixou de se limitar ao laboratório e o livro de bordo passou a ser transportado na pasta para se poder continuar o trabalho em casa. A dimensão do livro de bordo tornou-se um problema.

Em Dezembro de 2003, no intervalo de uma reunião na Universidade Católica de Lisboa, vi, pela primeira vez, um caderno Moleskine na papelaria da universidade. Era o modelo original de bolso, 9×14 cm, com o seu característico elástico para o manter fechado, uma fita marcadora, capa em cartão encadernado, contendo folhas cosidas feitas em papel sem ácidos e com a famosa bolsa interna extensível feita de cartão e tecido. Desde então, os meus registos diários passaram a ser feitos em cadernos Moleskine.

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O problema dos livros de bordo é que se enchem e um novo caderno acarreta um conflito de emoções. Por um lado há o prazer de iniciar um caderno limpo mas por outro há um sentimento de perda do passado recente. A vantagem dos cadernos Moleskine é também o seu maior inconveniente: enchem-se demasiado depressa. Estive a folhear a minha colecção de cadernos Moleskine e reparei que o primeiro durou 19 meses, o segundo 12 , o terceiro de 9 e o último apenas 7 meses. Inaugurei o meu quinto caderno Moleskine em Dezembro passado.

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Não sei se é por andar mais atarefado ou se por estar a escrever mais, mas este consumo crescente de cadernos está a tornar-se um problema. É cada vez mais frequente a necessidade de consultar o conteúdo de um caderno antigo. A solução que encontrei foi a de virtualizar os cadernos com o ScanSnap S510.

Comecei por retirar as capas de cartão dos cadernos. Em seguida usei uma guilhotina eléctrica para cortar a margem da lombada cosida. O resultado foi o caderno Moleskine de modelo pós-revolução Francesa que se pode ver aqui:

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O passo seguinte foi o de colocar as folhas soltas do caderno no digitalizador para as converter num documento em formato PDF.

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Usando a facilidade de introduzir bookmarks no documento PDF, terminei o processo de conversão marcando o início de cada mês para facilitar a localização de uma data específica.

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